Quando a gente menina cresce (2025)

Brasil (RS)
Longa-metragem | Não ficção
cor, 72 min

Direção: Neli Mombelli.
Companhia produtora: TV Ovo

Primeira exibição: Gramado (RS), 53º Festival de Cinema de Gramado [13-23 ago]-Mostra Competitiva Longa-Metragem Gaúcho, Palácio dos Festivais, 19 ago 2025, ter, 14h (presença da equipe, debate na Sociedade Recreio Gramadense, às 16h)

 

O documentário Quando a gente menina cresce conquistou os jurados da Mostra Competitiva de Longas Gaúchos do Festival de Gramado, ganhando o Kikito de melhor longa da categoria mais uma menção honrosa ao elenco feminino, não profissional. E ainda foi escolhido o melhor pelo júri popular.

Acompanha-se a rotina de seis alunas da Escola Municipal de Ensino Fundamental Sérgio Lopes, em Santa Maria, e as suas expectativas sobre um acontecimento que irá modificar as suas vidas. A obra, uma produção da TV Ovo, foi viabilizada com recursos do Pró-cultura RS (Fundo de Apoio à Cultura), Lei nº 13/490/10, em um projeto inicialmente denominado "Tesmofórias: um animal que sangra".

Em depoimento dado na Sala Paulo Amorim, durante debate posterior à exibição, a diretora Neli Mombelli contou que o argumento começou a nascer durante um encontro com membros de sua família em 2019. No evento, as mulheres do grupo, todas filhas de agricultores do interior, relataram que tiveram muitas dificuldades com as suas primeiras menstruações, visto que não receberam a educação adequada quanto ao tema. Apenas para se ter uma ideia, a avó delas ameaçava dar tapas em quem demonstrasse curiosidade a respeito do tópico. Isso fez com que uma de suas parentes só fosse descobrir a relação entre menstruação e gravidez na noite de núpcias. Os relatos chocaram a cineasta, que decidiu investir em um filme que iluminasse a matéria. Mombelli também disse ter se inspirado em um curta-metragem vencedor do Oscar, intitulado Absorvendo o tabu (Period. End of sentence, Raika Zentabchi, 2018, US).

As gravações levaram cerca de um ano (todo 2023), com um total de 40 diárias. Uma equipe pequena (necessária para ganhar a confiança das entrevistadas) se dirigia até o colégio todas as sextas-feiras, a cada 15 dias. Não havia um roteiro programado. As seis protagonistas (Alana, Ana Julia, Emilly, Isadora, Taiane e Thaila), todas na faixa de 10 anos, demonstram bastante tranquilidade em cena, por terem feito uma oficina prévia de introdução ao audiovisual. Elas aparecem em constante atividade: brincando entre si, conversando com a câmera, tendo aulas de dança ou participando do laboratório "Saúde na Escola", que buscou esclarecer dúvidas sobre a chegada da puberdade. Enquanto algumas parecem mais animadas, outras temem problemas novos, como cólicas. Há uma grande ansiedade: em que momento o episódio vai ocorrer? Que idade tinham suas mães quando aconteceu com elas?

Um destaque vai para o processo de montagem, que durou sete meses. Ele foi conduzido pelas premiadas Thais Fernandes e Joana Bernardes, que trabalharam usando uma complexa planilha. As primeiras imagens começaram a ser editadas em meio à enchente de 2024, num momento em que elas estavam separadas (uma no Rio Grande do Sul, outra na Europa). Um primeiro corte foi descartado por privilegiar o olhar adulto. Mas a edição final trouxe as garotas para o centro da narrativa, e ajudou a construir a personalidade delas – como a dupla Emilly e Thaila, sempre às voltas com divertidas discussões. No debate, Thais Fernandes elogia Neli pela organização de uma planilha modelo, com várias dicas para as montadoras. Thais: "Foi um desafio montar um ano de material. Em documentário, é muito difícil de fazer. O filme foi sendo construído aos poucos".

Diante da dificuldade de representar visualmente uma menstruação, o roteiro se vale de criativas estratégias, que incluem o uso de animação e metáforas com a passagem do tempo (outono-primavera). O objetivo é demonstrar que cada organismo tem o seu jeito de passar pela experiência. Já a videodança surge para demonstrar a modificação vinda de dentro para fora.

Após o lançamento em cinemas, a produção vai trabalhar "distribuição de impacto", uma estratégia direcionada para garantir o acesso do filme em escolas, a fim de ampliar discussões junto às novas gerações.

O tema da primeira menstruação tem aparecido em alguns curtas de ficção recentes como Um Tempo para mim (P. Mallmann, 2022) ou Flor (J. Bernardes, 2024).

Sinopse


Um grupo de meninas vive a transição da infância para adolescência em uma escola pública na periferia de Santa Maria, no Rio Grande do Sul.

Letreiros finais:
// Emilly menstruou como imaginava. Foi nas férias, em casa, quase sem ninguém por perto, assim que completou 13 anos. //
// Ana Julia pensava que ia demorar mais. O ciclo chegou aos 10 anos. Ela se sentiu bem estranha. //
// Thaila continua na expectativa, mesmo após ter completado 12 anos e se sentir muito adolescente. //
// Alana está na expectativa por Thaila. //
// Isadora ainda vive a pré-adolescência. //
// Taiane segue a infância e com nojo de sangue. //

Ficha técnica


IDENTIDADES
Emilly Louizzi Quevedo de Britto,
Thaila Matias Quevedo,
Alana Matias Quevedo,
Ana Julia Freitas Bortolotto,
Isadora de Freitas Nunes,
Taiane Noronha da Rosa.
Participação:
Mães: Celita Dias de Quevedo Filho, Jade dos Santos da Silva, Lúcia Matias.
Equipe de enfermagem: Gabriel Lautenschleger, Sharon da Silva Martins.
Meninos nos encontros da equipe de enfermagem: Estevan da Rosa Matias, Fernando da Silva de Britto, Guilherme No Nascimento Copetti, Victor Rian da Silva Lacerda.
Equipe da escola: Andreia Aparecida Liberali Schorn (diretora), Ana Paula Quevedo Postal Brignol (vice-diretora), Lilian Roberta Ilha Saccol (professora).
Professoras da oficina de dança: Lauren Diel, Mônica Borba.
Responsável pela horta: Fátima Isabel Bock.
Cachorros: Pandora, Rabudo.

DIREÇÃO
Direção: Neli Mombelli.
Assistência de direção: Marcos Borba.

ROTEIRO
Roteiro: Inês Figueiró, Marilice Daronco, Neli Mombelli.
Transcrições: Cristine Michelin Sarmento, Heloisa Helena Canabarro.

PRODUÇÃO
Produção executiva: Denise Copetti, Marcos Borba.
Produção associada: Aletéia Selonk.
Direção de produção: Luciane Treulieb.
Assistência de produção: Mallu Rodrigues.
Alimentação: Silvia Cheron Santos.
Coordenação administrativa: TV Ovo, Alexsandro Pedrollo de Oliveira.

FOTOGRAFIA
Direção de fotografia: Lívia Pasqual, Marcos Borba.
Primeira assistência de câmera: Ariéli Ziegler.
Segunda assistência de câmera: Mallu Rodrigues, Vitória Gonçalves.
Foquista: Rafael Rigon.

Gaffer: Thiago Jaques.
Eletricista chefe e maquinista chefe: Thiago Jaques.
Elétrica e maquinaria: Alexsandro Pedrollo de Oliveira.
Maquinaria: João Pedro Ribas, Maurício Stock.

Making of: Alan Orlando.
Fotografias adicionais: João Pedro Ribas.

ARTE
Direção de arte e animação: Luisa Holanda.
Assistência de direção de arte: Paulo Teixeira.

Figurino: Luisa Holanda.
Costureira: Neiva Páscoa Fontana.

SOM
Som direto: Maria Morena.
Microfonista: Evandro Depiante.

MÚSICA
Música original: Márcio Echeverria.
Musicista convidada: Clarissa Figueiró Ferreira.
Mixagem de música original: Márcio Echeverria.

Músicas:
• "Primeiras notas" (Márcio Echeverria) por Márcio Echeverria
• "Meninas" (Márcio Echeverria) por Márcio Echeverria
• "O que muda?" (Márcio Echeverria) por Márcio Echeverria
• "Intrigas na quadra" (Márcio Echeverria) por Márcio Echeverria
• "Ser criança" (Márcio Echeverria) por Márcio Echeverria e Ronison Borba (acordeon)
• "Planos de mocinha" (Márcio Echeverria) por Márcio Echeverria
• "Crescimento" (Márcio Echeverria) por Márcio Echeverria
• "Aurora Inversa" (Márcio Echeverria) por Márcio Echeverria
• "Aquecimento no pátio" (Márcio Echeverria) por Márcio Echeverria
• "Ciclo das flores" (Márcio Echeverria) por Márcio Echeverria e Ronison Borba (acordeon)
• "Borboletas no estômago" (Márcio Echeverria) por Márcio Echeverria
• "Queria ser bailarina" (Márcio Echeverria) por Márcio Echeverria
• "Dã Na Dã Na Na" (Márcio Echeverria) por Márcio Echeverria
• "Tesmofórias" (Márcio Echeverria) por Márcio Echeverria e Ronison Borba (acordeon)
• "Sonhos" (Márcio Echeverria) por Márcio Echeverria
• "Espelho" (Márcio Echeverria) por Márcio Echeverria
• "O Monstro da cólica" (Márcio Echeverria) por Márcio Echeverria
• "As Estações" (Márcio Echeverria) por Márcio Echeverria
• "Pássaro sem ninho" (Márcio Echeverria) por Márcio Echeverria
• "Sonhos na sala de aula" (Márcio Echeverria) por Márcio Echeverria
• "Luas" (Clarissa Figueiró Ferreira) por Clarissa Figueiró Ferreira (violino), arranjo: Márcio Echeverria

FINALIZAÇÃO
Montagem: Joana Bernardes, edt., Thais Fernandes, edt.
Primeira assistência de de montagem: Beatriz Ardenghi.
Segunda assistência de montagem: Marcos Borba.
Consultoria de montagem: Eliza Capai.

Supervisão de pós-produção: Daniel Dode, Gustavo Zuchowski.

EQUIPE Post Frontier
Coloristas: Arthur Bovo, Daniel Dode, Gustavo Zuchowski.
Geração e aferição de DCP: Gustavo Zuchowski.
Deliverables: Arthur Bovo, Gustavo Zuchowski.
Financeiro Post Frontier: Luisa Lopes.

Animatic e ilustrações: Luisa Holanda.
Animação: Murilo Jardim, Luisa Holanda.

EQUIPE KF Studios
Desenho de som: Kiko Ferraz, Ricardo Costa.
Edição de sons ambientes e efeitos sonoros: Felipe Stolnik Borges, Ricardo Costa.
Mixagem: Ricardo Costa.
Coordenação de pós-produção de som: Lísia Faccin.

ACESSIBILIDADE
Narração da AD Audiodescrição: Júlia Heerdt.
Consultoria de audiodescrição: André Martins Campelo.
Intérprete de LIBRAS Língua Brasileira de Sinais: Nathalia Holleben Lesnik.
LSE Legendagem para Surdos e Ensurdecidos: Júlia Heerdt, Natália Polla.
Legendas e tradução em inglês: Júlia Heerdt, Natália Polla.
Tradução em espanhol: Laís de Faveri.

EQUIPAMENTOS E SERVIÇOS
Estúdio de pós-produção de imagem: Post Frontier (Porto Alegre).
Estúdio de pós-produção de som: KF Studios (Porto Alegre).
Acessibilidade: Prisma Produções e Acessibilidade (Porto Alegre).
Assessoria de contabilidade: Pensar Contábil (Santa Maria).

MECANISMOS DE FINANCIAMENTO
Companhia produtora: TV Ovo (Santa Maria).
Financiamento (BR/RS): Edital SEDAC nº 01/2022: FAC Filma RS: Produção de longa-metragem. Pró-cultura RS Lei nº 13.490/2010 FAC Fundo de Apoio à Cultura. Realização: SEDAC Secretaria de Estado da Cultura / Governo do Rio Grande do Sul, por intermédio do Sistema Estadual Unificado de Apoio e Fomento às Atividades Culturais – Pró-cultura RS com o apoio do IECINE Instituto Estadual de Cinema do RS. Proponente: Oficina de Vídeo – TV Ovo (Santa Maria). Valor: R$ 500.000,00; contemplado com o título de: Tesmofórias: um animal que sangra.
Apoio institucional: Santa Maria Film Commission; Prefeitura Municipal de Santa Maria – Secretaria de Município da Cultura.

AGRADECIMENTOS
Agradecimentos:
Escola Municipal de Ensino Fundamental Professor Sérgio Lopes: Ana Paula Leon Soares, Chaiane de Oliveira Marzona, Douglas Rodrigo Bonfante Weiss, Fabiane Bayer, Indyele da Silva Fontoura.
Turmas dos 4º e 5º anos: Ana Luiza de Oliveira da Cruz, Arthur Fernando da Cruz Valentini, Arthur Frantz da Rosa, Ashilley Teixeira da Silveira, Estevan da Rosa Matias, Fabio Lorenzo Oliveira da Cruz, Fernando da Silva Britto, Guilherme No Nascimento Copetti, João Pedro Vicente Nunes, Lucas dos Reis Jacobi Lacerda, Maria Eduarda Trindade Rodrigues, Samuel Souza Paranhos, Victor Rian da Silva Lacerda.
Famílias: Gisele Rodrigues de Freitas, Gislaine Rodrigues de Freitas, Jaqueline Soares Teixeira, Júlio Cesar Bortolotto, Juvelino Dias de Quevedo, Laura Teresinha Dias de Quevedo, Levi Matias Quevedo, Paulo Cesar Nunes da Rosa, Watson Leomar Nunes.
Mulheres que inspiraram o tema: Inês Giacomelli Mombelli, Lucia Mombelli Damiani, Niliane Miraci Heckler Mombelli, Odete Delagustinho.
Alfredo Barros, Ana Carolina Pereira, Ana Lucia Silva, Bruna Milani, Bruna Thaís Mombelli, Bruno Colombo, Camila Marques, Carolina Bender, Casa de Cinema de Porto Alegre, Danusa Ciochetta, Diogo Wittimaha da Silva, Edina Girardi, Eduíno Simões, Eliane Treptow Graeff, Evandro Rigon, Felipe Dagort, Gabriela Poester, Horacilia Rodrigues Fernandes, Jardim Botânico da UFSM, Jonatas Rubert, Julia Ferreira, Julia Zucchetto, Juliana Borba, Larissa Rosa, Laura Boessio, Luciana Carvalho, Lucir Mombelli, Luiza Oliveira, Leonardo Roat, Leoni Boessio, Leonice Ferreira, Lívia Maria Oliveira, Manuela Fantinel, Marcelo Canellas, Marione Pinho Severino, Mary Anne, Naomi Luana Siviero, Natália Venturini, Odailso Berté, Projeto de Extensão da UFSM Dança em Todo o Canto (e com toda gente), Restaurante Sal e Pimenta, Rose Carneiro, Simone Marmet, Simone Messina, Tayná Lopes, UFSM Universidade Federal de Santa Maria.

FILMAGENS
Brasil / RS, em Santa Maria, na Escola Municipal de Ensino Fundamental Professor Sérgio Lopes.
Período: quinzenalmente às sextas-feiras, durante 2023.

ASPECTOS TÉCNICOS
Duração: 1:11:52
Som:
Imagem: cor
Proporção de tela:
Formato de captação:
Formato de exibição:
Acessibilidade disponível: AD Audiodescrição + LIBRAS Língua Brasileira de Sinais + LSE Legendagem para Surdos e Ensurdecidos.

DIVULGAÇÃO
Assessoria de comunicação: Nathália Arantes.

PREMIAÇÃO
• 53º Festival de Cinema de Gramado 2025: 5º Prêmio SEDAC/IECINE da Mostra Competitiva Longa-metragem Gaúcho: melhor filme [R$ 10.000,00] + menção honrosa: para o elenco feminino // melhor longa gaúcho (júri popular).

DISTRIBUIÇÃO
Classificação indicativa: Livre.
Distribuição de impacto: Okna Produções (Porto Alegre) / Aletéia Selonk, Graziella Ferst, Luciana Abbud, Marina Pessatto.
Contato: TV Ovo.

OBSERVAÇÕES
Créditos finais: // Santa Maria, RS, Brasil, 2025 //

Cf. créditos:
Videodança:
Direção artística: Mônica Borba.
Intérpretes criadoras: Djenifer Nascimento, Giullia Ercolani, Lauane Lencina, Lauren Diel, Paola Bonassa, Taís Machado.
Assistência de elenco: Stella Costa.

Títulos alternativos:
Grafias alternativas: André Campelo
Grafias alternativas (funções): Catering | assistente de fotografia | Acordeão | Legenda descritiva

BIBLIOGRAFIA

Exibições


• Gramado (RS), 53º Festival de Cinema de Gramado [13-23 ago]-Mostra Competitiva Longa-Metragem Gaúcho, Palácio dos Festivais, 19 ago 2025, ter, 14h (presença da equipe, debate na Sociedade Recreio Gramadense, às 16h)

• Porto Alegre (RS), Mostra SEDAC/IECINE de Longas Gaúchos do 53º Festival de Cinema de Gramado [10-14 set], Cinemateca Paulo Amorim-Sala Paulo Amorim, 11 set 2025, qui, 19h (comentada com diretora)

• Brasília (DF), 58º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro [12-20 set]-Festivalzinho,
Sesc Gama, 18 set 2025, qui, 9h30
Sesc Ceilândia, 18 set 2025, qui, 9h30
Complexo Cultural Planaltina, 18 set 2025, qui, 9h30
Cine Brasília – Sala Vladimir Carvalho, 19 set 2025, sex, 9h30

Como citar o Portal


Para citar o Portal do Cinema Gaúcho como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:
Quando a gente menina cresce. In: PORTAL do Cinema Gaúcho. Porto Alegre: Cinemateca Paulo Amorim, 2026. Disponível em: https://www.cinematecapauloamorim.com.br//portaldocinemagaucho/2666/quando-a-gente-menina-cresce. Acesso em: 13 de fevereiro de 2026.