Conversas nas zonas azuis – Veranópolis e as blue zones (2025)

Brasil (RS)
Longa-metragem | Não ficção
cor, 90 min

Direção: Gabriel Martinez.
Companhia produtora: não creditada

Primeira exibição: Veranópolis (RS), Casa da Cultura Frei Rovílio Costa (Centro), 6 nov 2025, qui, 18h

 

Em 1994, o médico geriatra e pesquisador de origem oriental Emilio Moriguchi voltou ao Brasil, após concluir uma temporada de estudos no exterior. Instigado por um colega, ele decidiu aprofundar as suas investigações sobre o processo de envelhecimento, vindo a descobrir que um município gaúcho era dono do maior índice de longevidade do país: Veranópolis (antiga Alfredo Chaves), a 180 km de Porto Alegre, na serra gaúcha. Trata-se de uma pequena cidade com população estimada em 24 mil habitantes, colonizada por imigrantes italianos e poloneses, habitada por famílias pacatas e ordeiras – ocupadas com o trabalho no campo e idas na igreja. Com o passar dos anos, Moriguchi fundou o seu próprio instituto e fez uma série de descobertas sobre a chamada Terra da Longevidade no Rio Grande do Sul – aproximando Veranópolis do conceito de blue zone.

O termo designa cinco regiões do mundo que, por algum motivo, abrigam pessoas com idade elevada e boa qualidade de vida. São elas: Okinawa (Japão), Sassari (Itália), Nicoya (Costa Rica), Icária (Grécia) e Loma Linda (Estados Unidos). Dirigido pelo cineasta porto-alegrense Gabriel Martinez, Conversas nas zonas azuis – Veranópolis e as blue zones percorre todas as zonas azuis citadas, na tentativa de entender os motivos que as fazem tão benéficas para os idosos. Martinez já havia trabalhado em produções semelhantes, como Envelhescência (2018) e Além do aposento (2023). O projeto foi idealizado pela jornalista Lilian Liang, que assina a produção executiva e esteve presente nas viagens internacionais, ocorridas durante dois meses. Além de entrevistar pesquisadores renomados, a equipe conversou com velhinhos e velhinhas que tem entre 70 e mais de 100 anos de idade – todos esbanjando saúde física e mental, de modo surpreendente.

O documentário sugere a existência de vários fatores para explicar o fenômeno. Eles incluem as típicas recomendações fornecidas por profissionais de saúde, como dieta balanceada, prática de atividade física e um bom sono. Mas agregam novidades que passaram a ser reconhecidas como importantíssimas pela comunidade médica, como a manutenção de vínculos sociais (junto a familiares e amigos). Isso porque, segundo as estatísticas, a solidão em pessoas de mais idade pode ser fatal. Outra receita relevante seria a espiritualidade – não necessariamente pela crença em algum Deus específico, mas pela sensação de tranquilidade e paz que a fé pode trazer. Diante desse contexto, não seria recomendável manter qualquer tipo de mágoa ou rancor por traumas do passado – a raiva e o estresse ajudam a morrer mais cedo. A adoção de um propósito de vida, que justifique o hábito de sair da cama todos os dias, igualmente é estimulada, como forma de reforçar a autoestima e a sensação de utilidade/engajamento a uma causa. Valem até pequenos gestos, como cuidar de uma horta.

De acordo com a fala do próprio Emilio Moriguchi, não seria necessário morar em uma blue zone para se alcançar a longevidade, mas sim seguir os conselhos trazidos por quem reside nesses territórios. O próprio objetivo de vida do geriatra é criar condições que propiciem um envelhecimento mais ativo e saudável para os seus pacientes. Na serra gaúcha, as gravações se concentraram nas residências dos cidadãos locais e em espaços como o Salão Nossa Senhora de Lourdes, que promove várias atividades para a terceira idade. Conversas nas zonas azuis – Veranópolis e as blue zones estreou na Casa de Cultura Frei Rovílio Costa, em novembro de 2025. Também teve exibições na capital gaúcha, no então recém-inaugurado Cine Cinco da PUCRS e duas semanas em cartaz na Cinemateca Paulo Amorim.

Sinopse


Veranópolis, na serra gaúcha, e o trabalho pioneiro do Instituto Moriguchi, que desde 1994 desenvolve o Projeto Veranópolis, voltado ao estudo dos hábitos da população idosa local. Experiência de envelhecimento nas áreas mais longevas do mundo, conhecidas como blue zones: Península de Nicoya, na Costa Rica; Loma Linda, Califórnia, nos Estados Unidos; Okinawa, no Japão; Icária, na Grécia; e Sassari, na Itália. São 74 depoimentos.

Ficha técnica


IDENTIDADES
Ordem de identificação (falado em português quando não mencionado):
Cristiano Dal Pai (prefeito de Veranópolis),
dr. João Senger (diretor-presidente do Instituto Moriguchi),
dra. Neide Bruscato (pesquisadora),
dr. Emilio Moriguchi (idealizador do Projeto Veranópolis),
dr. Waldemar de Carli (pesquisador),
dra. Berenice Werle (pesquisadora),
dr. Gianni Pes (pesquisador Universidade de Sassari, Sardenha; em italiano),
dr. Luis Rosero-Bixby (demógrafo; em inglês),
dr. Kyriakos Dimitriadis (professor de Cardiologia, Universidade de Atenas; em inglês),
dr. Makoto Suzuki (diretor Centro de Pesquisa para Ciência da Longevidade de Okinawa; em japonês),
dr. Masashi Arakawa (professor de Saúde e Turismo de Bem-estar, Universidade de Ryukyus; em japonês),
dr. Hildemar dos Santos (professor de Saúde Pública, Universidade de Loma Linda),
Luigi Corda (fotógrafo, autor do livro 100 centenari; em italiano),
Jorge Vindas (fundador da Associação Zona Azul de Nicoya; em espanhol),
Laura Vindas (nutricionista e pesquisadora, Universidade da Costa Rica; em espanhol), dra. Isabel Barrientos-Calvo (professora de geriatria, Universidade da Costa Rica; em espanhol), José Ramiro Guadamuz (101 anos; em espanhol),
Maria Moula (92 anos; em grego),
David Mazzarollo (93 anos),
Letizia Locci (100 anos; em italiano),
Harvey Elder (91 anos; em inglês),
Dora Amparo Bustos (104 anos; em espanhol), Wenceslao Hernández (100 anos; em espanhol),
Libera Ghidin (96 anos), Diva Ravison (98 anos),
Thea Parikos (Referência local em longevidade; em inglês),
Ourania Kouloumbi (95 anos; em grego), Athina Katinou (103 anos; em grego), Athina Mazari (83 anos; em grego), Dimitri Lazanas (82 anos; em grego),
Ampilio Affonso (97 anos), Flavia Galiazzi (97 anos), Maria Theresa Benetti (102 anos), Olivia Lazzarotto (99 anos),
Ester van den Hoven (98 anos; em inglês), Jai-Un Cho (91 anos; em inglês),
dr. Craig Willcox (professor de Saúde Pública e Gerontologia, Universidade Internacional de Okinawa; em inglês),
Nobuko Oshiro (75 anos; em japonês), Kinue Takaesu (80 anos; em japonês), Eikiti Tomoyose (100 anos; em japonês), Seiei Taira (88 anos; em japonês),
Julio Tabuenca (82 anos; em inglês),
Maria do Carmo Strapazzon (80 anos),
Gourdet Gaspard (82 anos; em inglês), Marijke Sawyer (76 anos; em inglês),
Attilio Stochino (100 anos; em italiano), Giovanni Locci (89 anos; em italiano),
Kazuko Asato (74 anos; em japonês), Kikue Okushima (90 anos; em japonês), Kazue Kinjo (90 anos; em japonês), Seian Tamashiro (84 anos; em japonês), Hatsue Asato (86 anos; em japonês), Kazumi Asato (91 anos; em japonês),
Maria de Lourdes Frizon (67 anos), Inácio Stasiak (77 anos), Sibila Putti (80 anos), Irmacy Caglione (77 anos), Ruth Corrêa (84 anos), Dorvalina Zandoná (90 anos), Izabel Biasi (73 anos), Salete Vitória (66 anos),
Juan de Diós Ruiz (103 anos; em espanhol), Guillermina Aguirre (100 anos; em espanhol), Cecilia Gutiérrez (96 anos; em espanhol),
dr. Raffaele Sestu (médico de família; em italiano), Eleni Mazari (referência local em longevidade; em italiano), Gisella Rubiu (escritora e pesquisadora em longevidade; em italiano),
Gino Locci (95 anos; em italiano),
Georgios Kanetis (78 anos; em grego),
Paul Damazo (98 anos; em inglês),
Hatsuko Kyan (101 anos; em japonês),
Rosa Secci (97 anos; em italiano),
Lady Affonso (86 anos),
Hideyasu Kinjo (78 anos; em japonês).

DIREÇÃO
Direção: Gabriel Martinez.

ROTEIRO
Roteiro: Gabriel Martinez.
Pesquisa: Lilian Liang.
Consultoria técnica: Emilio Moriguchi, João Senger, Neide Bruscato, Berenice Werle.
Tradução: Carolina Kazuko Sakama, Julie Kartali, LD Traduções.

PRODUÇÃO
Produção executiva: Lilian Liang.
Produção: Debora Alves, Marcos Okura.
Gerência executiva: Fabiana Cruz.
Equipe (Blue Zones): Lilian Liang, Gabriel Martinez.
Produção (Blue Zones): Jorge Vindas (Costa Rica), Marijke Sawyer (Estados Unidos), Tamiko Oshiro (Japão), Maria Papathanasopoulou (Grécia), Eleni Mazari (Grécia), Sara Corda (Itália).
Produção (Veranópolis): Debora Alves, Fabiane Parise, Lilian Liang, Neide Bruscato.

FOTOGRAFIA
Direção de fotografia (Veranópolis): Ian Leite.
Operação de câmera (Veranópolis): Raphael Mariano.
Direção de fotografia (Blue Zones): Gabriel Martinez.

Making of (Veranópolis): Nicolas Rossi.

SOM
Som: não creditado.

MÚSICA
Músicas:
• "The Dawning of a new age" por Ian Post
• "Orchids" por Diamonds and Ice
• "Away" (piano version) por Ian Post
• "Ballerina" (slowed and reverbed) por Yehezkel Raz
• "Heartsease" (instrumental version) por Roie Shpigler
• "Winter lullaby" por Roie Shpigler
• "Little things" por ANBR
• "Skin" por ANBR
• "Seine River" por IamDayLight
• "Undertow" por Risian
• "Laila" por Pia Maya
• "Early dawn" por Anthony Vega
• "Make things better" por Anthony Vega
• "In this together" por Lance Conrad
• "Mon amour" por ANBR
• "Redefined reworked" por Christopher Galovan

ARQUIVO
Fotografias: Emilio Moriguchi, mais novo, dançando com idosos de Veranópolis; Letizia Locci com o marido; Wenceslao Hernández com a família; Athina Katinou com a família; Athina Mazari jovem; Ampilio Affonso jovem; Maria Theresa Benetti em família; Ester van den Hoven e família; grupos sociais em Okinawa; Juan de Diós Ruiz e família.
Revista: National Geographic: "The secrets of living longer".

FINALIZAÇÃO
Montagem: Fernando Teshainer, Gabriel Martinez.
Assistência de montagem: Breno dos Santos.

Supervisão de pós-produção: Giba Yamashiro.
Coordenação de pós-produção: Henrique Reganatti.

Colorista: Maria Luisa Tinôco.
Edição de som e mixagem: Ricardo Camera.

EQUIPAMENTOS E SERVIÇOS
Estúdio de pós-produção: Zumbi Post (São Paulo).
Transporte: Tavo Transportes (Veranópolis).

MECANISMOS DE FINANCIAMENTO
Companhia produtora: não creditada.

FILMAGENS
Costa Rica, na Península de Nicoya;
United States [Estados Unidos] / California, em Loma Linda, em lugares como: residencial para idosos;
Japão, em Okinawa;
Grécia, em Icária;
Itália / Regione Autonoma della Sardegna [Sardenha], em Sassari;
Brasil / RS, em Veranópolis.

ASPECTOS TÉCNICOS
Duração: 1:30:08
Som:
Imagem: cor
Proporção de tela:
Formato de captação:
Formato de exibição:

DIVULGAÇÃO

DISTRIBUIÇÃO
Classificação indicativa: Livre.
Contato:

OBSERVAÇÕES
Grafias alternativas: M. Carmo Strapazzon e Maria do Carmo Strapazzon

BIBLIOGRAFIA

Exibições


• Veranópolis (RS), Casa da Cultura Frei Rovílio Costa (Centro), 6, 8 nov 2025, qui, 18h, sab, 9h45, 14h, 16h, 19h

• Porto Alegre (RS), Campus da PUCRS (Av. Ipiranga, 6.681) Cine Cinco – Sala de Cinema da PUCRS (térreo do Prédio 5), 11 nov 2025, ter, 18h30

• São Paulo (SP), Conjunto Nacional (Av. Paulista, 2.073, Cerqueira César) Cine Marquise Sala 3,
27 nov-3 dez 2025, qui-dom, 14h, seg-qua, 18h (ingressos gratuitos via Sympla)

• Porto Alegre (RS), Cinemateca Paulo Amorim-Sala Norberto Lubisco,
8-11, 13, 14 jan 2025, qui-dom, ter, qua, 15h
15-18, 20, 21 jan 2026, qui-dom, ter, qua, 19h30

Como citar o Portal


Para citar o Portal do Cinema Gaúcho como fonte de sua pesquisa utilize o modelo abaixo:
Conversas nas zonas azuis – Veranópolis e as blue zones. In: PORTAL do Cinema Gaúcho. Porto Alegre: Cinemateca Paulo Amorim, 2026. Disponível em: https://www.cinematecapauloamorim.com.br//portaldocinemagaucho/4967/conversas-nas-zonas-azuis-veranopolis-e-as-blue-zones. Acesso em: 15 de agosto de 2026.